Quando
o destino conta uma historia, você deve parar para ler.
Sei que você deve estar
pensando “ Nossa, Dest, como você é clichê, copiando a ideia que a Morte teve
quando escreveu ‘a menina que roubava livros’; Seja mais criativo. ’’; Mas, se
minha esposa pode contar uma historia, o que me impede de fazer o mesmo? No fim
das contas eu sou tão importante quanto ela, talvez até mais.
Essa
é uma historia real, de um amor real, doce e extremamente complicado. Um amor
tão puro quanto ao que tenho para com minha esposa.
Serena era uma garota
sorridente, que estava sempre rodeada de pessoas, mas no fundo se sentia eternamente
sozinha. Athor, por outro lado, era quieto e tímido, mas tinha grandes e
verdadeiros amigos.
Por assim, sem querer, que
juntei os dois. Eu não tinha intenção, na verdade, queria mantê-los quietos por
um tempo depois de tantas desventuras, mas acabei de descuidando por um
momento. Num momento, Serena oferecia balas de ursinho amarelas para Athor e no
momento seguinte, ele queria ama-la para sempre.
Felizmente, ou
infelizmente, Serena entendia o tamanho do sofrimento que poderia causar ao
garoto. Ela nunca foi uma menina normal, tinha um dom especial para a dor, algo
que geralmente saia de seu controle. Com uma facilidade descomunal ela se
machucava e machucava os outros. Foi por esse motivo que a garota criou uma
mascara e barreiras que pessoa alguma poderia transpor. Ela sorria o tempo
todo, fazia as pessoas a sua volta rirem, dava conselhos bons, mas ninguém lhe
conhecia realmente, ninguém sabia a dor que carregava e como se esforçava para
manter o sorriso e os olhos gentis.
O primeiro pedido que ela
fez ao garoto foi bem simples. “Não me ame”. Athor foi teimoso demais para
atender o pedido dela, mas, sinceramente, eu não o culpo. Sempre fora um garoto
bom, com um coração enorme e gentil. Serena chegou devagar, num momento
difícil, oferecendo amor, carinho e cuidados ao coração tão maltratado do
garoto. Qualquer um se apaixonaria.
Por um longo tempo eu temi
que tivesse cometido um grande erro ao deixar os dois de aproximarem. Serena
era incansável de vários modos. Ela tinha medo de amar o garoto, medo de
machuca-lo, medo de não ser o suficiente, de não saber cuidar dele, mas
principalmente, ela estava fisicamente longe... Talvez, por outro erro meu, ela
deixou suas barreiras caírem e antes que pudesse evitar estava confessando seu
amor a Athor.
Ainda que boa parte dos
medos do garoto estivesse simplesmente se desfeito, as coisas não se tornariam
mais simples agora que ela declarará seu amor. Muito pelo contrario... Apesar
do amor ser correspondido, uma barreira muito grande ainda existia ali. Alias,
varias barreiras ainda estavam ali.
Serena, embora amasse muito
o namorado, ainda lhe escondia grandes segredos de sua vida. Escondia o passado
complicado, as historias dolorosas, as cicatrizes na alma, no coração e no
corpo. Quanto a Athor... Bom, eu não posso dizer com certeza, mas é provável
que ele também esconda algumas coisas. Além disso, uma velha conhecida minha
vivia assombrando a mente dos dois: a Carência.
De um jeito ou de outro,
eles fizeram o melhor com aquilo que tinham nas mãos. Fizeram o melhor para
provar seu amor, para fazer com que o outro se sentisse amado e desejado, mesmo
de tão longe. Alguns dias depois do começo do namoro, eles traçaram planos,
sonharam juntos e Serena lhe fez um pedido. Não o ultimo, mas o mais
importante. “Me ame para sempre.”
O final dessa historia? Eu
ainda não escrevi, afinal, sou o Destino e ainda tenho muito que fazer. Escrevo
certo por linhas tortas, as vezes, extremamente tortas, mas garanto que seja
como for, será um final feliz. Serena mantém o coração do amado bem guardado e
cuidado, junto as suas roupas de Lolita, suas bonecas e seus livros. Athor, por
sua vez, mantém o coração da namorada guardado no lugar mais importante que
conseguiu entrar. Na mesma caixa onde estão suas alianças.
Nenhum comentário:
Postar um comentário