25 de fevereiro de 2016

Ruby

A HISTORIA

Ruby é o fruto da união mais perigosa que o mundo da magia já teve noticia. Filha de Julien Mayfair e Prudence Halliwell, a garota une todo o poder natural dos Halliwell à beleza, persuasão e sedução dos Mayfair.
De sua mãe, Ruby herdou a seriedade e os encantos, além da paixão por historia e do lendário Boss das Halliwell. Já de seu pai ganhou uma fortuna inestimável, a famosa esmeralda Mayfair e Lasher, uma entidade meio demônio e meio divindade celta, que acompanha a família desde que Suzanne, a primeira bruxa Mayfair, lhe invocou.
Nascida e criada no Garden District, Ruby sempre teve consciência de quem era, do que era e de tudo que as coisas a sua volta significavam. Sabia, tão logo tivera idade para entender tal coisa, que seria a herdaria do ‘legado’ e por isso fez o melhor que pode desde sempre para condizer com sua posição familiar. Foi uma aluna exemplar e bruxa incrível, mesmo entre seus antepassados. Guiada por uma curiosidade quase mórbida, deu continuidade aos experimentos de sua tia, Marie Claudette, e a tradição de sua mãe de criar encantamentos extremamente funcionais.
Atualmente, mora sozinha na mansão Mayfair e administra o legado com a ajuda de diversos primos, em sua maioria advogados de renome, já que a fortuna da família tomou proporções grandes demais para serem controladas por uma única pessoa, ainda que Ruby seja a beneficiaria legal... Ao passo que a jovem lida com sua vida na cidade, seus pais viajam pelo mundo desfrutando dos prazeres da vida e fazendo novas descobertas que, muitas vezes, são extremamente uteis para a bruxa.


UM PEQUENO ACONTECIMENTO

Manhã de 31 de Outubro.
Comemoração de Samhain.
Décimo quinto aniversario de Ruby.
Ruby ainda estava deitada, enrolada nas cobertas como uma criança, embora a luz do sol atravessasse as janelas, enchendo o quarto com o brilho dourado do amanhecer. A garota se virou, escondendo o rosto no travesseiro em protesto ao inevitável. Foi então que alguém bateu na porta, delicadamente. Diante do silencio, as batidas continuaram e a garota obrigou-se a levantar a cabeça do travesseiro para murmurar um ‘entre’.
Prudence abriu a porta apenas o suficiente para colocar a cabeça dentro do cômodo. Riu ao ver a situação da filha, novamente com o rosto escondido no travesseiro. – Ruby. Levante-se, pequena. Seu pai está te esperando lá em baixo, ao que parece, alguém vai receber uma coisinha verde. – Com um riso quase inocente, Prue se retirou, fechando a porta.
Se a intenção da maior era fazer a ansiedade dominar a filha, deu certo. Ruby levantou rapidamente e já estava abrindo a porta quando encarou o próprio corpo. Não poderia descer daquela forma, metida dentro da camisola de linho branco. Conhecia a tradição muito bem! Assim, apesar da ansiedade, a pequena foi para o banheiro e se arrumou para a ocasião. Tomou um longo banho, penteou-se e vestiu-se como deveria, arrumando o corpo dentro de um vestido negro com detalhes roxos, pouco acima dos joelhos.
Foi só nesse momento, depois de arrumar os cabelos, que lhe caiam soltos até o meio das costas, que ela abriu a porta e desceu a escada em passos lentos. Os degraus de madeira antiga e escura rangiam apesar de sua leveza notável. Ruby mantinha a mão no corrimão, embora tivesse a certeza que não iria cair. Os passos continuaram, guiando a garota até a sala de estar da grande casa.
Todo o barulho, produzido pelos diversos familiares, cessou no exato momento em que Ruby atravessou a porta. Pessoas das duas famílias, Mayfair e Halliwell, estavam acomodadas em sofás confortáveis, as crianças sentaram-se em frente a lareira e Julien estava encostado da grande poltrona de veludo negro, um vulto bonito e esquio contra a claridade quase cegante da enorme janela atrás de si, envolvida por leves cortinas de seda branca. Pelo murmúrio distante, Ruby sabia que algumas pessoas estavam na sala de jantar, provavelmente comendo as coisas gostosas preparadas para a ocasião. Por um momento, seu estomago protestou, mas Ruby se manteve firme, parada a porta enquanto olhava todos ao redor.
Julien se moveu lentamente, esticando a mão na direção da filha. – Ruby, minha joia. Venha cá. – Murmurou, a voz doce. A garota, que esperou boa parte da vida por aquilo, caminhou devagar até seu pai, contendo com dificuldade a ansiedade. O mais velho se levantou e foi só nesse momento que ela notou a caixa de veludo roxo nas mãos pálidas dele. – Minha filha... Quinze aniversários, minha filha. – A mão dele tocou os cabelos ruivos da garota, sorrindo-lhe com ternura. – É a hora de assumir suas honras e deveres... Hoje, na presença de todos vocês. – Julien fez uma pausa, encarando todos os presentes. – Eu passo o legado para Ruby Halliwell Mayfair, e lhe declaro a legitima beneficiária. – Sua voz era calma, todos podiam lhe ouvir perfeitamente.
O homem abriu a caixa de veludo, revelando a joia. Era uma corrente de ouro simples, mas seu pingente era uma grande esmeralda envolvida delicadamente pelo mesmo ouro da corrente. – Você está pronta? Ele irá te acompanhar sempre, a partir de agora. – Julien sussurrou, embora soubesse que a filha era forte o suficiente para aquilo. – Ele sempre esteve comigo. – Ruby respondeu no mesmo tom do pai, que afirmou com a cabeça enquanto pegava a joia com cuidado. Ruby se virou, permitindo a Julien pousar o colar em seu pescoço. Naquele momento, a garota podia sentir o toque extramente frio da esmeralda, tão verde quanto os olhos da menina, tão forte quanto seu espírito.

Uma brisa, gélida e ao mesmo tempo suave, tocou o corpo de Ruby. Então a voz encheu sua mente, como se tivesse vinda de todos os lados e ao mesmo tempo de lugar algum. – Minha amada. Minha amada Ruby. – A voz de Lasher, tão familiar, fez a menina sorrir. Ninguém da família, exceto por Julien, pareceu notar a manifestação do espírito. Seu pai virou-a de frente para si, abraçando o corpo delicado da filha contra o seu demoradamente. – Você é capaz de controla-lo, e eu estou contigo. – Ele sussurrou, beijando-lhe a bochecha. Então voltou a se sentar na poltrona, sorrindo para a filha. – Vá, pequena. Sua mãe está te esperando para comer e começar os preparativos para sua festa. És agora uma mulher feita. – Ruby não deixou de sorrir diante da ideia da comemoração e assim se afastou, ostentando orgulhosa - pela primeira vez, embora não a ultima -  a joia da família,

Nenhum comentário:

Postar um comentário