25 de fevereiro de 2016

Candice, a historia.

Candice Harris Murphy, a filha única de Stacey e Louis. A menina de ouro da família... Ou quase isso.
Toda criança, quando pequena, vê coisas que nenhum adulto consegue ver. Com a pequena Candice não era diferente. Ela tinha inúmeros amigos imaginários, passava horas brincando sozinha no enorme jardim de sua casa e preferia a companhia do que era produzido por sua mente a companhia das crianças das redondezas. Seus pais nunca desconfiaram de nada, até que, aos sete anos, Candice passou a afirmar que tinha uma irma gêmea chamada Charlotte.
Stacey e Louis estavam certos de que isso iria passar logo, afinal, sua filha era uma criança saudável e apesar de ser um pouco tímida, era amável e tinha boas notas e bom despenho escolar. Mas os anos passaram e embora alguns amigos imaginários tenham se afastado, a imagem de Charlie permanecia junto a ruiva. Candice passava horas sentada sob o carvalho, o caderno de desenho sempre firme enquanto rabiscava e a voz sempre melodiosa, respondendo a alguém que só ela ouvia.
Numa tarde, com a garota já tinha aproximadamente quinze anos, seus pais resolveram entrar em seu quarto enquanto a menina estava na escola. Vasculharam cada canto do cômodo e ao abrirem o closet, encontraram a pior cena de suas vidas. Nas paredes haviam desenhos, terrivelmente realistas, de pessoas mortas das formas mais violetas e brutais possíveis. Os desenhos mostravam pessoas decapitadas, enforcadas, desmembradas e por aí a fora.
Ao chegar em casa, diante da família em pânico, Candice tentou explicar aos pais que ela não fizera nada daquilo. Que eram os desenhos que Charlotte lhe pedia para fazer, que estavam ali porque sua irmã havia colocado lá... Mas explicação alguma livrou a doce garota de seu terrível destino. Louis convenceu a esposa que era perigoso manter a filha em casa e assim a ruiva foi mandada a um manicômio, onde o inferno de fato começou.
Por não ser considerada violenta, Candy podia transitar livremente pelo hospital. Ela tinha um bom relacionamento com os outros internos, era paciente e até ajudava nas aulas de artes do lugar. Mas isso não impediu a garota de desenvolver raiva e repulsão por seus pais, afinal, Candice não havia feito nada e ela simplesmente não entendia porque todos ignoravam Charlie quando era obvio que a irmã estava ali, bem ao lado dela, o tempo todo.
Grande parte dos enfermeiros e responsáveis pelo hospital gostavam da menina, embora estivessem todos convencidos que ela era realmente louca, havia algo de muito especial nela. Candice compreendia facilmente os acessos de raiva dos outros pacientes e ajudava a controlar aquilo quase como se estivesse dentro da mente das outras pessoas. Também possuía uma facilidade incrível para aprender diversas coisas, como idiomas e musica.
De um modo geral, as coisas caminhavam bem. Algumas pessoas até fingiam ver Charlotte para confortar a ruiva. Mas havia uma única pessoa que não via Candice como os outros. Havia um homem que desejava aquela pequena ruiva de forma brutal e esse foi o inicio da explosão mais grave da vida da menina.
Numa noite, Scott entrou no quarto da menina enquanto a mesma dormia e tentou toma-la a força. Num estalino surdo, algo despertou dentro da garota, uma parte delicada de seu poder, algo que saiu completamente de seu controle...
Quando o sol nasceu, Scott estava morto. Seu corpo estava sobre a cama de Candice, as pernas torcidas num ângulo doloroso, a garganta arranhada até que as veias se rompessem, o corpo cheio de marcas roxas e sob as unhas, grandes quantidades de pele e sangue. O vigia do hospital estava em posição fetal, chorando sem conseguir formar uma única frase coerente e Candy havia desaparecido.
A policia foi avisada do ocorrido, mas já era tarde demais para a ruiva ou sua família. Em meio ao frenesi assassino causado pelo descontrole de seu poder, Candice dirigiu-se a sua antiga casa e esfaqueou os pais de forma brutal, até a morte, para depois desmembra-los.
Felizmente, alguém observava Candice há tempos e embora não tenha conseguido agir durante o surto, chegará antes da policia.
Quando Sebastian atravessou os portões da casa, encontrou a ruiva cavando um grande buraco sob o carvalho do quintal. Os corpos desmembrados estavam jogados de lado numa confusão de braços, pernas e cabeças. Os olhos azuis dela, brilhando pela insanidade, encontraram os olhos do maior. – Se você contar a alguém, ela vai atrás de ti. – Sussurrou. Sebastian limitou-se a afirmar com a cabeça. – Está tudo bem, pequena. Eu vim ajuda-la. – Embora não devesse confiar nos outros, a menina continuou cavando. – Candice. – A voz dele a fez parar sua tarefa. – O que aconteceu? – Aquela era uma pergunta  importante. Ele sabia o que tinha acontecido, mas precisava saber como a ruiva via tudo aquilo.
Candice suspirou, enfiou a pá no chão e pegou dois braços, jogando-os no grande buraco. – Não é culpa dela, Charlie só queria me proteger. – A menina não parecia perturbada com o que acontecia, não parecia se importar com os corpos. – Sabe, eles foram malvados com a gente, nos mandaram embora sem motivo. Se tivessem deixado a gente viver aqui, Scott não teria feito aquilo e estaria tudo bem agora. – Explicou, enquanto ia colocando o resto dos corpos no buraco. Quando finalmente colocou todas as partes, ela pegou a pá novamente e fitou Sebastian por um longo momento. – Charlotte é uma boa menina, ela só estava cuidando de mim. E agora eu preciso cuidar dela, preciso limpar tudo. – A menina sorriu e seu sorriso era doce e encantador como o de uma criança; e assim ela voltou ao trabalho, enchendo o buraco de terra.
Naquele momento Sebastian entendeu o quanto o poder da garota era forte e o quanto o mesmo era capaz de mexer com a noção da realidade que a pequena Candice tinha... Com certo esforço, o maior convenceu a menina a ir com ele e assim a ruiva na fundação meyers. Logicamente, nem tudo eram flores. Embora tivesse o temperamento amigável na maior parte do tempo, Candy costumava se descontrolar quando se sentia ameaçada e isso era perigoso.
Muito tempo e esforço foi investido no treinamento da menina. Anos se estenderam a exaustão para que um maior controle fosse obtido. Felizmente, Candice teve sucesso em muitos pontos de seu treinamento. Tornou-se uma boa lutadora, embora passasse dos limites em certos momentos. Entretanto, mesmo com toda sua evolução, nunca foi possível convencer a garota que Charlie não existia, que era apenas fruto de seu poder, uma vez que só tocar no assunto provocava uma crise.
Devido a seu temperamento e aos mutantes novos que chegavam as pencas na fundação, Candice foi escolhida para dar aula de tortura e métodos de persuasão. Afinal, a garota passou boa parte da vida ali, se tornando uma mutante com dons incríveis e provando que existe muito por trás de um doce sorriso. Hoje em dia, felizmente, Candy consegue controlar melhor suas crises de raiva, mas as vezes, Charlotte toma o controle e nesses momentos...

Bom, nesses momentos eu agradeço por não ser um inimigo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário