Lá estava a rainha, sentada
em seu trono. Olhava, desconfortavelmente, para o trono vazio ao seu lado,
suspirando por diversas vezes.
Seu rosto era um misto
incomum de tristeza e compreensão, suas mãos estavam postas delicadamente sobre
os joelhos, os dedos roçando o fio dourado que formava desenhos no tecido
carmim de suas vestes, tais quais contrastavam e ao mesmo tempo combinavam tão
bem com seus cabelos dourados, que lhe caiam em suave cascata sobre os ombros.
Feita de ouro e sangue, era
assim que muitos lhe descreviam. Alguns diziam, ainda, que aqueles benevolentes
olhos azuis-acinzentados poderiam esconder o poder mais mortal de todo o reino.
Rompendo a paz da sala, a
princesa empurrou as portas pesadas e entrou em passos rápidos. Ah, como era
linda a princesa. Herdará os mesmo cabelos dourados se sua mãe, mas tinha os
olhos verdes e afiados do pai, como se estivesse sempre escondendo um punhal
entre as camadas de tecido de seu corset. E eu não duvidaria se estivesse...
A rainha permaneceu imóvel enquanto
a princesa se aproximava. Encarava sua filha com calma assustadora mesmo quando
a garota se sentou aos pés da mãe, no degrau mais alto, próximo ao trono.
Sem rodeios, a garota fitou
a mais velha e indagou. – Por que deixa que o papai faça isso? – Parecia mais
do que furiosa, estava indignada.
- Ela é uma guerreira, minha
filha. Eu sempre fui uma rainha. – Murmurou, como se fosse a coisa mais normal
do mundo.
Por um longo momento, a
princesa pareceu refletir sobre aquela frase, correndo os dedos pálidos pelos
desenhos decorativos do trono do pai. Por fim, não chegou a conclusão que fosse
satisfatória e voltou-se novamente para mãe.
- Exato. Você é uma rainha,
deveria fazer algo, tira-la do caminho... – a princesa parecia tão irritada com
a ideia que, secretamente, a rainha temia a vida da dita guerreira.
- Ah, minha menina... –
Sussurrou, se inclinando para frente e passando os dedos entre os fios do
cabelo de sua filha. Conforme a luz do sol banhava os mesmo, eles reluziam como
o ouro da coroa que a rainha usava. – A realeza e o poder me são naturais,
assim como são naturais a ela a espada e o escudo. Mas ela é apenas uma criança
com espírito rebelde, que deve fazer o que a guerra faz de melhor. Dobrar os
derrotados a vontade dos vencedores. –
Nesse momento, a rainha se
levantou e desceu lentamente os degraus de mármore. Parou na base dos mesmos,
colocando as mãos na cintura e voltando-se a vida. – Algumas guerras são ganhas
com espadas, outras com penas, favores e sorrisos. Mas independe de como é
feito, há apenas uma verdade. Reinos são destruídos, reis são mortos, mas
rainhas não. Rainhas são eternas, porque mantém a realeza. – Murmurou, exibindo
o sorriso mais doce que tinha, tal qual iluminava sua bela face.
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