Suas palavras ficam se
repetindo na minha mente. Cada uma dela, me enlouquecendo, me obrigando a viver
quando meu único desejo é partir daqui.
Mas você entende e isso me
irrita. Você entende todos meus dramas, entende quando me jogo no chão e fico, imóvel,
por horas. Entendo meus surtos de hiperatividade, entende quando preciso me
afastar e entendo quando te abraço por horas a fio, alinhando nossos corpos,
ouvindo seu coração, sentindo o cheiro suave de sua pele.
Nesse momento, eu estou
perdida. Divida entre duas partes importantes e contrarias de mim mesma. Preciso
da solidão, porque tenho medo de te machucar. Preciso da companhia, porque sem
você tem sempre algo faltando, sempre estou incompleta.
Seu jeito, suas manias, seu
sorriso raro, suas brincadeiras bobas, o jeito que me envolve com os braços e
faz com que eu sinta que o mundo todo pertence a nós. Tudo isso me conquistou,
tão rápido que eu nem pude me dar conta. Passei anos construindo barreiras,
anos lutando contra todos os meus sentimentos, mas agora estão todos aqui,
completamente aparentes e eu me sinto nua.
Tudo que eu queria fazer era
fugir, ficar num lugar onde nada disso poderia nos atingir ou machucar, mas nós
somos livres, não pertencemos um ao outro e isso machuca. Mas sei que
machucaria se nos prendêssemos também. Privações machucam.
No fim, é só isso. Eu sou só
uma pequena garota, alinhada junto ao muro enquanto a chuva gélida despenca do céu
cinza contra meu corpo quente. Só uma garotinha, com grandes sentimentos
confusos, com um grande amor com o qual não sei lidar.
Perdi a cabeça, talvez eu
tenha passado dos limites. Mas não acredite no que eles dizem, apenas me
escute. Feche os olhos, me dê as mãos e venha comigo para as flores, porque
embora eu possa ter perdido meu caminho, todos os caminhos me levam até você. E
eu estarei sempre aqui, no jardim, entre as flores.
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