25 de setembro de 2013

Sentada aqui, sob a luz suave, eu vejo os humanos passando lentamente. Alguns param para me olhar, os menores, mas a maioria não nota a minha existência. Os humanos, sempre preocupados com seus sentimentos, muitas vezes param aqui discutindo, brigando e falando alto. Despejam quilos e quilos de sentimentos, de magoas antigas. Vejo, com certa curiosidade, as lágrimas que deslizavam seus rostos. Talvez eu nunca entenda porque os humanos choram, talvez eu nunca entenda seus sentimentos. Minhas companheiras, as outras que se já sentaram ao meu lado, também tem sentimentos. De alguma forma estranha, elas conseguem sentir algo, elas querem ser tiradas daqui, querem que um humano as leve e as ame. Tenho pena delas, porque não sabem que os humanos não são capazes de nós amar por muito tempo, porque somos frágeis demais e depois de quebradas, seremos apenas sucata... Sentada aqui, no pedestal mais alto da vitrine, eu sorrio para todos. Não desejo ser comprada, quero ficar aqui, olhando os humanos para talvez entender a complexidade inútil de sua existência sem razão. Quero continuar aqui, sempre lembrada como 'a linda boneca da vitrine, a boneca que sorri'. 



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