Um, dois, três, quatro.. Novamente o ponteiro do relógio se move, tão lentamente quanto antes. Quando foi mesmo que o tempo resolveu não passar? O silencio profundo incomodava a garota, já se passavam das quatro da manhã e ela ainda não tinha conseguido dormir, seu cérebro lutava contra o cansaço e estava ganhando... Suas mãos gélidas deslizaram pelo corpo magro, era possível sentir cada pedaço de suas costelas e ela já não se lembrava da ultima vez que havia comido, tão pouco da ultima vez que sentiu fome... Estava confusa, perdida e completamente solitária! Ao fechar os olhos novamente, na tentativa desesperada de dormir para esquecer, a cena voltou a sua cabeça. Em sua mente o céu brilhava, azul e límpido, no fundo vozes infantis e alegres ecoavam, pessoas sorrindo, gente sendo... Feliz. E num canto mais afastado, sob a sombra de uma cerejeira carregada de flores estava uma garota ruiva, abraçada a um garoto cujo o resto se esforçara para esquecer, ainda que fosse impossível. A lembrança de um momento feliz lhe fazia chorar de triste, as lágrimas rasgavam sua alma de forma dolorosa, mais dolorosa que a própria morte e a pequena preferia ser devorada por bilhões de zumbis e outros tipos de monstros a ter que sentir aquilo novamente, mas sabia que não iria se livrar da dor tão facilmente. Não importava quanto tempo passasse sorrindo, fingindo, quando ela fechasse os olhos ele estaria lá novamente, seu fantasma docemente particular.
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