2 de setembro de 2011

Vamos contar uma pequena historia.


Existia uma menina, uma menina de doces olhos verdes. Seus cabelos eram negros como a noite, a pele pálida como a neve, os lábios vermelhos como sangue e a existência vazia como a morte. Essa garota não tinha amigos, não tinha vida além do pequeno mundo que havia criado para tentar, inutilmente, se proteger de todos que lhe fariam mal. Ela sabia que sentimentos iriam lhe matar, sabia que amar seria seu fim, por isso, ela nunca de deixou levar pelas ilusões que via a todo o momento, nunca quis ser como a menina do filme, do livro ou da sala ao lado. Nunca quis ter um amor, nunca quis declarar seus sentimentos para alguém que não fosse seus pais... Por muitos anos, essa garota conseguiu ser assim. Ela era vista como fria, como má. Machucava pessoas, pisada em seus corações sem a menor dó, torturava-os até que simplesmente não suportassem mais lhe olhar. Ela fez varias pessoas chorarem abraçando fotos suas, fez com que implorassem seu amor, deu esperanças e refez o coração deles, só para poder destrui-los novamente. Ela tirou o sorriso deles e fez o seu... No entanto, o mundo gira e jogo vira. Um dia, sem notar, ela acabou se deixando levar e quando menos esperava, já estava apaixonada. Mas mesmo assim, tudo parecia que iria dar tão certo, eles estavam tão felizes juntos. Ele não podia ver ela, não a amava por seu rosto, mas por aquilo que ela era por dentro, amava a doçura e a crueldade, e isso tornava tudo mais especial. Ela nunca soube onde ele morava, se tinha família, somente lhe encontrava no bosque, todos os dias e ali ficava com ele por horas a fio, até que o mesmo sumisse nas sombras... Mas um dia... Num dia frio e escuro ele não apareceu, e nem no outro, nem no outro. E assim se passaram meses. A pequena menina tinha o coração em pedaços e a decisão de não amar, a decisão de ser fria novamente. Culpava-se por tudo, se culpava pela partida dele, achava que não fora boa o suficiente. Por um tempo, ela ficou em paz consigo mesma, não amava, não sorria ou brincava, mas estava relativamente calma. Não torturava pessoas, não quebrava seus corações, não tocava elas, sequer falava com elas... O tempo passou, a menina cresceu amargurada e um dia, passando pelo bosque como sempre fazia, encontrou ele, da mesma forma que na primeira vez, sentado em baixo daquela mesma árvore. Seu coração bateu forte, os olhos brilhavam e ela, apesar de não esquecer o que aconteceu, correu para os braços dele o mais rápido que podia e lá estava novamente, tudo daria certo dessa vez, ela sabia. Tinha que dar certo e realmente deu certo por um tempo, mas não por tempo o suficiente. A menina estava sempre dando o melhor de si, fazia tudo que podia, e até o que não podia, para fazê-lo feliz... E tão simples como voltou, ele se foi novamente. E de novo ela ficou sozinha, com medo, com frio. E ela voltava a se culpar por tudo aquilo, voltava a se torturar com as lembranças, achava que aquilo tinha acontecido por ela ter sido tão má, mas depois de um tempo, esse pensamento foi trocado pelo sentimento de fracasso. Era horrível a vida daquela forma, ela já não suportava mais aquilo... Numa noite fria, ela decidiu que seria a hora e depois de se armar, fugiu pela janela com uma mochila nas costas, o coração cheio de dor e a mente cheia de pensamentos sombrios. A morena parou em baixo da mesma árvore em que conhecerá aquele a quem tanto amava, puxou uma foto de sua mochila e uma folha, na qual, escreveu poucas palavras. Seus lábios tocaram a foto com carinho, ela sussurrou uma ultima jura de amor e com a faca, que tinha pegado antes de sair, ela terminou sua vida. O céu parecia ainda mais escuro quando a pequena estava caída ao chão e o sangue saia rapidamente pelo grande corte. A vida foi tirada de seus olhos devagar e pouco antes de finalmente morrer, ela sentiu a chuva sobre seu corpo e achou que por um momento, estivesse de novo com seu grande amor... A carta foi encontrada no dia seguinte por algumas pessoas que caminhavam, ali, somente os seguintes dizerem. 
"Perdoe-me aqueles que machuquei, tinha medo de acabar me machucando. Perdoe-me família, não fui forte.. E a ti, meu grande amor. Espero-te do outro lado da vida. Seja feliz, ame como nunca, só não esqueça de mim. "



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